23.5.10

Blues for Gabe

E ela que nem gostava de se vestir de amarelo. Quando o dia se recolhe, vem aquela quietude e, naqueles minutos cambaleantes e assustadores que precedem o adormecer, é impossível não sentir que o rio abre seus braços vertiginosamente, marulhando baixinho e grave, dividindo-se em dois; e as duas correntes, a do leste e do oeste, seguem para o sul, solitárias e plácidas, como se preparassem-se para banhar as pernas pudicas de moçoilas a lavarem em suas tábuas. Vão através de tortuosos vales e declives, irrigando terras áridas, inférteis e porosas, encontrando-se com outras águas, de outras fontes, de outras naturezas; descobrindo, encobrindo e deformando as ruínas que já viram tantos outros rios passarem. Até mesmo mares. Os pequenos caudais agora vão perdendo a força no meio de seus percursos por onde trafegam barquinhos a motor em cujos conveses, à luz dos lampiões, resplandecem as faces desencantadas das meninas ribeirinhas do Zé Mauro que se vestem da cor da flor do Ipê para serem devidamente distinguidas: servidoras do rio, prostitutas e nada mais. Os regatos perpassam lentos pelos pés desta bucólica montanha adunca, inundando as crateras feridas e desviando-se dos montículos de uma terra que tardiamente adolesce; vão se enroscando na vegetação imperfeita em ambos os lados, penetrando e fazendo transbordar este pântano avermelhado sob a luz do entardecer para, enfim, reencontrarem-se após tamanha jornada, tornando-se novamente um só fluxo de águas piscosas de melancolia, amansadas pelos ventos da conformação e do silêncio; e, mesmo assim, ele seguirá fraco, porém persistente, até pender, em forma de uma acabadiça e bolhante cachoeira, na boca do abismo de meu queixo, hesitando entre saltar ou ser secado pela fronha florida do travesseiro.

E nossas vozes lamuriosas se misturavam na escuridão, cantando o blues febril dos escravos que suam suas almas ao escavar as terras deste maldito senhorio. Éramos trabalhadores malemolentes a serviço do... Desse God damm Love. Nunca vimos a cara dele, mas bem que sentimos suas chicotadas e achincalhes. 

Aquele que engoliu o rabecão, me faz lembrar que o mundo permanece girando, mas, ultimamente, a cada volta que ele dá, quando chega à noite, me encontro na mesma curva, na mesma cama, vendo os mesmos rios de lágrimas se cruzarem à luz do abajur, lembrando daquela outra cama, onde ela, nua, iluminada pelo fulgor de velinhas aromáticas, dizia: “Não gosto de me vestir de amarelo”, como se não soubesse que, naquele mesmo instante, o fogo já a vestia assim. 

Hoje, só queria clamar “Gabe” enquanto todos calam e nem mesmo as gaitas farfalham. Só queria saber se é ela mesma que me espia pelo outro lado do espelho. Só queria adorar sua face de boneca, adormecida e palpitante em sonhos. Só queria lhe desejar boa-noite. Só queria falar essas coisinhas simples e, então, dormir ou morrer, tanto faz. Mas a chuva volta a estourar sobre meu telhado. Uma tempestade viril rompe o som de minha voz.

Nu e irracional, subitamente me estendo na parede rústica, sentindo o frio dos tijolos perfurar meu peito quente e suado, executando o balé da solidão. Meu olhar de piedade e cansaço se recolhe lentamente e sinto em mim uma leve ausência, uma desolação suave como um arrepio na nuca, um ímpeto que, como o sopro que leva longe a pena do travesseiro, me joga aos braços dela que hoje vibra entre as ondas etéreas, escondida atrás da luz e do tempo, pulsando em meus neurônios e mediando os conflitos entre os átomos. Viagem leve e fugaz. "Mas não há ninguém. Nunca houve." - Diz a vidraça, salpicada de gotas cintilantes. 

Antes de depositar meu porto seguro e todas minhas esperanças dentro de um baú e enterrá-lo no fundo das poças celestiais de seus olhinhos, acho que nunca disse a ela, mas costumava ser uma dessas pessoas que preferiram a solidão e a confortante sensação de sentir-se miserável, a chorar por si com uma guitarra no braço e um copo de Bourbon na mão, consolando-me com as palavras que somente eu (e todos aqueles negros safados) saberia proferir para mim contra os males que eu mesmo me permitia. Era fácil viver nessa época. Mas sou sobra confusa do puritanismo e minhas roupas ainda rescendiam a coral de igreja aos domingos: pisei em sua alma e pedi perdão a Deus. Éramos tão parecidos, né? Praticamente iguais. Respirei tanto sua vida que a mesma se impregnou em meus ossos e se tornou a minha própria de modo que, hoje, sou uma dessas pessoas que... Nem sequer pode olhar-se no espelho, pois, diante do reflexo, o que sobra de mim mesmo é somente um par de riachos: regatos de dor onde me batizo diariamente para ter meus pecados contra ela expiados. 

Sabe, desde que Gabe se foi, não raro, minha mente projeta um sonho: há sempre, de início, uma situação tenebrosa como, sei lá, uma morte. E, finalmente, quando a tormenta se vai, no caminho para casa, fumando pall mall com mãos trêmulas e cantando spirituals, numa longa estrada de terra margeada por canaviais, me lembro que há, em alguma das estantes de livros de minha velha biblioteca, um pequeno livro de capa dura e folhas envelhecidas; uma espécie de promessa de livro sagrado, dono de uma beleza imensurável, como se tudo de mais lindo e perfeito já escrito tivesse sido liquefeito, misturado num cadinho e de lá nascesse a tinta que grafaria tais páginas carcomidas. O sonho é tão real que toda vez acordo com a certeza de que o livro estará lá e que me bastará ler um de seus pequenos capítulos para sentir meu corpo ser enxugado, minhas culpas redimidas e meus olhos revividos. Mas ele não está - O livro perfeito é o amor que se vai na calada da noite sem deixar vestígios, platonizando-se ao som do canto funéreo dos mochos - Não está porque, no sonho, ele tinha em sua capa cor de ovo, em letras garrafais, o nome “Gabe”. Lamentavelmente (e novamente) ela, que não gostava de se vestir de amarelo.
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Para Gabriela




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Atibaia,
Outono de 2010
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(Texto livremente inspirado nas paisagens bucólicas de Flannery O'Connor, Coen Bros., Zé Mauro de Vasconcelos e no universo das canções de Skip James e Tom Waits)


Para ouvir durante a leitura:

39 comentários:

Ramiro R. Batista disse...

As well! Marvelous, terrific!! your hand is yet so good. It's the same old unmistakable and unforgettable style, Mr. Otto. Congratulations. This your writing so rich of adjectives is... brilliant! I think it is better to read listening a fagote solo. A big hug. Ramiro

Anônimo disse...

Um conto belíssimo.Riqueza de imagens emoldurando tantas emoções.Interessante que o texto se desdobra a partir de uma frase que mora na lembrança ainda intensa de saudade, amor e solidão. "E ela que nem gostava de se vestir de amarelo" e a partir daí a trama se desenrola numa viagem inesquecível. Navegamos nesse rio ...Bjs.Ana

Jane Krist disse...

Por onde começar... seu texto, “obra de cenas que furam as mas densas e profundas memórias. Ao ler cada parágrafo sinto beber um tempo que nunca vivi, e deste me visto, caminho, me esqueço, e fixo meus como se eles não fosse os meus, mas O PERSONAGEM. Um abraço Otto.

Anônimo disse...

Certos textos eu não comento. Simples: estão acabados, a gente lê e é só. Aquele abraço, amigo Otto

Anônimo disse...

Belo e melancólico. Parabens, poeta!

Anônimo disse...

Relendo porque amei esse conto. Ana.

Rejane Borges disse...

Eu já li umas três vezes e a minha impressão vem sempre em preto e branco, numa cena bucolica, obviamente bucolica, de algum pedaço esquecido do interior dos Estados Unidos. Uma personagem sofisticadamente antiga, mas cinza. Se há alguma cor, nao é amarelo. Se há algum tom, não é o mais belo. Uma personagem que quase prefere ser abandonada para sentir uma plenitude que não sentiria se estivesse completa. Prefere alcançar o tom da agonia, por ser tão mais intenso e belo que o tom do amor, pq só assim vale a pena viver. Alcançar o que há de belo. E não há nada mais belo e perfeito e puro que o sofrimento. Destaque para "O livro perfeito é o amor que se vai..." e nao o amor que já existiu.

Diana Aventino disse...

((Otto, você sabe cativar o leitor. Já li, re.li, muitas vezes. A mim chega a visão de um mundo sofrido, das distancias angustiantes, de olhar para o passado e então sentir-se presente. Fui absorvida pelas cores, naveguei junto do rio, do amarelo, na solidão____um conto muito, muito bonito mesmo - diria que repleto de TERNURA, como gostava o seu Zé Mauro))____ bEiJoS

Eduardo Paixão disse...

O que mais me chama atenção, é o fraseado longo, caudaloso como um rio. Não é uma arte fácil. Confesso que ao ler esta peça, senti uma certa falta de ar. E isso é comum em obrs que nos deixas estupefactos.Tudo me remete em um tempoa algo titânico, pelo corpo, e profundamente íntimo, como uma daquelas miniaturas que guardamos longe dos olhos de todo mundo.Sua arte está cada dia mais depurada e instigante. Um grande abraço.Em tempo: obrigado pela gentileza com que trata meus escritos. Vindo de uma pessoa com seu gosto tão refinado, são um alento.

W. Monteiro disse...

Hahaha! Agradeço os seus elogios e devo dizer que adorei seu texto. Obrigada por comentar no meu. Passarei aqui sempre. Abraço.

Anthus da Geb disse...

Você, como sempre, mestre na arte de pintar com palavras. Plasticamente seus textos são belos e com este não foi diferente. Adoro sua paleta literária.
Seu novo escrito me permitiu fazer muitas reflexões sobre o amor e o amar alguém. Esse texto define bem o que é estar apaixonado.
O que mais apavora no amor é a idolatria pelo ser amado. Essa idolatria me parece algo perverso, idolatrar, sacralizar o ser amado não me parece algo muito racional. É terrível quando um ser apaixonado transforma seu ser amado em um ídolo, Quando isso acontece corre-se o sério risco de iniciar um fundamentalismo amoroso.
De repente, você já não consegue mais separar a imagem de seu ídolo da sua....é algo muito louco. Eu não sei até que ponto estar apaixonado pode ser algo bom. Penso que o amor seja um sentimento que ainda não podemos compreender e por isso sofremos muito quando amamos alguém.

Um beijo

Hannah Herman disse...

Você é um dos caras mais loucos que conheci na vida. Ama o amor e ama a falta dele. Ama a vida, pois a desenha com tanta beleza (só pode amar!), mas vive de paquera com a morte. Ama sua fé, mas observa a podridão do mundo com brilho nos olhos. Você é um artista, meu caro. Você e tua literatura escapa a qualquer definição. Apaixonar-se por você (e isso não é nada difícil) é mortal. Não é à toa que você coleciona uma série de cadáveres femininos no armário que, ouso dizer, são matéria prima para tua escrita maravilhosa, assim como as bailarinas que Degas matava, aprendendo delas suas anatonmias, para criar aquelas coisinhas lindas. Você é um canalha que, enfim, encontra perdão na arte.

Malu Vargas disse...

Oi, vim visitar e me deparei com o conto. Doloroso, encharcado em memória e solidão, mas irremediavelmente belo. Belas imagens de águas que vão levando a gente com as palavras. Vejo que você sabe o que faz. :)

Veronica Partinski disse...

"O livro perfeito é o amor que se vai na calada da noite sem deixar vestígios...". Otávio Augusto, você realmente existe? Você é real? É possível tocá-lo com a ponta dos dedos e sentir o desabrochar de eternos sóis, através dos seus tímidos olhares? Para mim você é um mistério, um contista de talento ímpar... Você é verdadeiro e é isso que me dói mais... O que você escreve exala vida, transborda infinitamente...

Anônimo disse...

Vim agradecer sua visita e fiquei encantada com tua escrita.Um beijo..rosa

Ana Costa disse...

Que bom que vc está de volta, seu texto está delicioso e perfeito, como sempre!

Gerana Damulakis disse...

Fiquei encantada com seu estilo, frases longas que prendem o fôlego e levam o leitor; seguramente voltarei aqui.
E obrigada pela visita ao Leitora.

Andréia Carvalho disse...

Paisagem sinfônica. Tive muitas percepções que os comentaristas acima descreveram. Voz de um rio, que não veste amarelo, talvez porque já o seja assim.

Abraço.

Anônimo disse...

Otto, quando assisti Jesus Christ Superstar (aliás, indicado por você), tive que assistir várias vezes de tão intenso que ele é. Uma vez sob o enfoque das performances, outra da técnica, outra das locações, e por ai vai... Com seus textos, se dá o mesmo. A cada um, tem-se que dissecar e analisar ponto a ponto, também por vários enfoques. Isso realmente é um trabalho completo. Parabéns. Theo.

Anônimo disse...

Bucólico que só...

Marie disse...

Ah! O amor... Descrito em verso ou prosa acaba sendo sempre a mesma cantiga repetida à eternidade: ora dor, ora só amor.Beijo!

Carolina Caetano disse...

Otto. Agora, relendo alguns textos e este conhecendo, me lembro bem de você no Recanto, sim! Que bom ter me achado! Eu saí do Recanto e, só agora, reconstruí o blog, não é que eu tenha me escondido. Aliás, nunca me passou pela cabeça que seus textos fossem horrorosos, você me despertou pra isso agora! Mas continuo não achando, espero não surgirem disposições a este respeito. Hehe.
Rapaz, envie, sim, o que achar melhor para eu publicar em Por Outros, vai ser ótimo. Aliás, já vou cumprir com todas essas alianças blogais de seguir e lincar.
Abraço forte!
Carolina.

Rejane Borges disse...

Agora eu percebi. No final, vc foi bem direto e, mesmo assim, não tinha percebido. As lágrimas...

Katrina disse...

Só consigo falar CARALHO. Nessas horas qualquer elogio é muito pouco. Mesmo.
Bom saber que ainda existem bons escritores e que há sim, literatura formigando na internet, as escondidas

Larissa Marques disse...

sigo acompanhando seus escritos.
a qualidade de sempre.
vez ou outra me encontro em um personagem seu.

Larissa Marques disse...

querido,
a Utopia está promovendo um concurso para livros, veja lá se te interessa:
www.utopiaeditora.com

Paulo Tamburro disse...

OI OTTO,

VENHA CONHECER O BLOG: “HUMOR EM TEXTO”.

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Anônimo disse...

Otávio,

Com certeza, esse é o conto mais poético que você já escreveu. A poesia tem isso, descreve o indescritível, é mágica e carrega lá seus sortilégios. Só mesmo uma narrativa habilmente construída, com a força de tantas imagens poéticas pode, por fim, transmitir algo que é muito difícil de colocar em palavras: O espírito do Blues e os sentimentos que ele evoca. Você conseguiu isso - algo, digamos assim, extraordinário. Um conto lindíssimo. As orações longas parecem traduzir a música, o “turnaround” do blues que finaliza um movimento triste para recomeçar outro: A repetida imagem da água e seus conteúdos simbólicos dá um tom lacrimoso e belo no conto – rios, águas, fontes, mares, cachoeiras, ribeirinhas, riachos, regatos de dor. Algo que escapa pelos dedos, irrompe do inconsciente e chora. Mesmo a imagem antitética ao ritmo moroso, como um choque, ficou muito linda: . "Mas a chuva volta a estourar sobre meu telhado. Uma tempestade viril rompe o som de minha voz." Gostaria de citar algumas passagens que gostei, mas são tantas...! Essa, em particular, me comoveu: “Sou uma dessas pessoas que... Nem sequer pode olhar-se no espelho, pois, diante do reflexo, o que sobra de mim mesmo é somente um par de riachos: regatos de dor onde me batizo diariamente para ter meus pecados contra ela expiados."

beijo da Valéria

Andrea de Godoy Neto disse...

Otto, eu já havia passado aqui para conhecer-te, só não deixei escrita a impressão que tive do conto. Vou corrigir isso agora. Teu conto é belo, linguagem trabalhada que remete a imagens fortes, mas, mais do que isso, o que me chamou atenção foram as orações longas, que parecem serpentear pelo corpo acordando os sentidos diversos, como as águas que descreves, dividindo-se e percorrendo diferentes sítios. Gostei bastante mesmo.

um abraço pra ti

Anônimo disse...

Oi, mocinho. Parabéns! Você escreve como um profissional. Sei que o Recanto é um espaço aberto para todos, mas textos assim fazem uma enorme diferença. Vou dormir realizada hoje. Bjim. Adriana.

Lady M disse...

Já vi este tipo de escrita antes, que detalha a dor, detalha os sentimentos de forma magistral. Já vi sim, quando - na universidade - estudávamos Teoria da Literatura e os professores sempre ressaltavam o fato de que escrever assim, parágrafos, textos inteiros até, em que o leitor sente-se sem ar e consegue 'ver' as cenas descritas, é pra poucos. Poucos alcançam a forma textual que consegue tocar a 'alma' do leitor. Porque tocar o corpo é mais fácil... já a alma... Só pra você e pros grandes da Literatura. Parabéns, e obrigada por dispensar a meus textos um pouquinho do seu tempo e brindar-los com suas palavras. Beijo grande, vou te seguir no Twitter também. M*

Jorge C. Filho disse...

Um longo e bem costurado conto, Otto. Abraços

Anônimo disse...

Nossa! Meodeossssssssss!! Acho que há muito... há muito tempo, eu não lia algo assim tão sublime e prazeroso. Perfeito Poeta. Perfeito!! Curvo-me diante, de tamanho talento e emoções postadas.

Antonio Maria Cabral disse...

"Não há ninguém, nunca houve" é uma boa pista para entender que o seu universo introspectivo, sob a égide de Flannery O'Connor, Coen Bros., Zé Mauro de Vasconcelos, Skip James e Tom Waits, transmite imagens vestidas de palavras e, por isso mesmo, o tom parece surreal e nebuloso. Não é um texto fácil - nem para produzir nem para conduzir - e você, meu amigo Otto, no qual identifico um raro talento literário, saiu-se muito bem!

Anônimo disse...

Leio novamente esse conto que é acima de tudo belo.Há tanta beleza, tanto lirismo nesse blues,vou lendo e logoum sentimento melancólico e doce me invade. Ana

Cristina Nunes disse...

olá Otto, fiquei maravilhada com seu conto! é muito bonito, bem escrito e apesar de longo (em se tratando de ler na tela do computador) nem senti tal a maneira como a leitura flui... parabéns! obrigada pelas palavras e pela oportunidade de conhecer seus textos.

Luna Steinherz disse...

Muito interessante... Um texto musical, livre, como um blues mesmo ou um jazz. Um solo que começa e vai, envolvente, dono de uma vida própria, e que nunca mais pode ser repetido. O que os caras fazem com suas guitarras você fez com as letras... Um solo muito talentoso. Me lembrou também um pouco dos beats. É um texto para ser lido várias vezes, e possui ângulos diferentes dentro dele, assim como numa canção mesmo, daquelas em que cada vez que ouvimos descobrimos algo diferente... Exemplar! Só posso dar uma opinião melhor depois que ler três, quatro ou cinco vezes...

Maria Olimpia disse...

Puxa! Vc é um achado! Como escreve bem!

Bernard Gontier disse...

Bom demais, Mister Otto, literatura de primeira linha. Tem uma gravação antológica do Tom, aquela que abre com uma moeda rodopiando no chão. Foi trilha, inclusive, que agora me vem à mente junto com essas servidoras do rio, que de leste a oeste corre para o sul e deságua num travesseiro, ao som de Blues for Gabe , com três notas mágicas e liquefeitas, expressando o indizível. Abraços!

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